Te escrevo essa carta como quem redige um tratado de paz

Entre o tudo ou o nada, na escolha pela palavra, busco a chance de apaziguar nem que seja um instante desse tanto.

Já não sei se estar a cortar as palavras arranca um pedaço da minha voz ou encharca as minhas entranhas. O que sei é que por si só palavras não constituem matéria, contudo, quando se integram aos corpos se tornam tão capazes de destruir mundos concretos quanto de instaurar — mesmo que sejam relativas — tréguas.

Se trago a palavra na boca, desvio
perco o fio da meada
Se coloco a palavra no papel, atalho
Na falta de rastro, o jeito é cortar o caminho

Por isso, escrevo:

Te dou a minha palavra
pois é tudo o que eu tenho

faça o que quiser com elas
tome nota
coloque na gaveta
ligue os pontos
ateie fogo
tome tento pois
que de tempo
em tempo
elas hão de chegar

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Assim, carinhosamente, te escrevo
— portanto te estranho —
Stéfany Freu